quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Crimson Mark - O Retorno (até que enfim...)

Olá, pessoas.

Antes de mais nada, eu quero encarecidamente pedir desculpas a vocês por esse longo e forçado hiatus que tivemos de suportar. Foram quase dois meses de ausência e eu realmente sinto muito por isso. Mas, às vezes, a vida real tem um certo jeito de virar tudo de cabeça para baixo, de nos jogar sem aviso no olho do furacão e, quando vamos perceber, o caos já está instalado.

Não vou dar mais desculpas, porque parece que é só isso que fazemos nos últimos tempos. Esse tempo que se passou foi algo como uma espécie de período de adaptação para todos nós e eu espero sinceramente que ele tenha sido o suficiente para que achemos nosso pé e consigamos equilibrar nossas vidas pessoais com nosso prazer pela escrita.

Quero agradecer a todos pela compreensão, carinho e respeito que tiveram conosco. Por terem entendido que apesar de amarmos o que fazemos - e amarmos vocês pela companhia e pelas respostas que nos dão - nem sempre podemos agir irrestritamente nessa vocação.

Sim, porque todos nós, da equipe Crimson Mark, somos antes de tudo, escritores. Temos alma de escritor - e digo isso sem me dar ao trabalho de falsa modéstia. Amamos acima de tudo aquilo que fazemos e, sempre que nos afastamos um pouco disso, ficamos meio que perdidos sem saber o que fazer.

Fica então aqui as nossas desculpas e o nosso muito obrigado. E agora, vamos parar de choradeira, que já deu tempo de arrumar a casa e botar essa 'budega' para frente. Hoje, estamos de volta com Amaterasu; amanhã o Expresso retorna e, se tudo der certo, domingo, New Dawn traz alguns presentes para vocês também.

Por hora, fiquem com capítulo novo de Madrigal.

Romance-Drama-Musical/G


Deixa eu voltar para o trabalho agora, que estou enrolada até o pescoço e com um mundo de coisas para resolver...

A Coruja

domingo, 1 de novembro de 2009

Ah... e os musicais estão de volta


Esse feriado foi excelente – deu para ler, escrever e assistir um bocado de coisas. Há tempos que eu não tinha tanto tempo para fazer as coisas que gosto e os últimos três dias foram passados apenas relaxando. Nada de livros de processo, nada de apostilas, nada de se preocupar com a procuradoria.

Um tema foi meio predominante no final de semana: musicais.

A essa altura da vida, os leitores do Coruja provavelmente já sabem que eu adoro música... Que participei de corais durante uns dez anos, cheguei a fazer violão e só escrevo com trilha sonora ao fundo.

Nada mais lógico, pois, que eu goste de musicais.

Pois bem. Este final de semana, tive a oportunidade de conhecer uma série musical e assistir de novo dois dos meus filmes musicais favoritos.

Dos filmes, talvez vocês já tenham ouvido falar.

Across the Universe traz uma história passada à época da Guerra do Vietnã, um romance entre um imigrante ilegal inglês e uma jovem americana engajada, embalado por músicas dos Beatles. Mamma Mia, por sua vez, é uma comédia, com o ABBA servindo para contar a grande confusão de uma garota tentando descobrir qual dos três namorados descritos no diário da mãe é seu verdadeiro pai.

O que realmente me pescou esse feriado, contudo, foi a série. Glee ainda não estreou aqui no Brasil, mas graças ao Orkut (de alguma coisa ele tem de servir...) eu já assisti os oito primeiros episódios.

Das críticas que ouvi por aí, as pessoas têm dito que Glee se ancora no sucesso de High School Music. Que é uma cópia da franquia da Disney, e blá, blá, blá. Tendo assistido já um bom tanto da série, devo dizer que discordo dessa opinião.

Glee gira em torno do grupo coral de um típico colégio americano dominado pela treinadora das líderes de torcida. A mulher é doida de pedra, um verdadeiro dragão, que chega a chantagear o diretor da escola – um indiano – para conseguir o que quer.

O Clube Glee, contudo, conta com a direção de outro professor, Will, o típico boa-praça, que ensina espanhol na escola e, em sua época como estudante, foi ele mesmo um corista do clube.

Mas as verdadeiras estrelas do seriado são os integrantes do coral, cada qual mais louco que o outro; cada qual mais estranho que o outro.

O clube acaba por congregar todas as minorias – todos aqueles que não são apenas impopulares, mas sim os párias da escola, os membros mais inferiores da escala hierárquica de uma High School.

Temos uma judia, filha de pais homossexuais (ela foi adotada), grande estrela do coral que acha que o mundo gira em torno de seu umbigo; uma negra gordinha; uma asiática gótica; um paralítico de cadeira de rodas e um gay mais ou menos assumido, os quais são o núcleo original do clube.

Mais tarde, o professor irá manipular a estrela do time de futebol e cara mais popular da escola (embora não saiba, nas palavras dele mesmo, diferenciar esquerda de direita) a entrar para o coro e, na esteira dele, acabam vindo três das animadoras de torcida (uma delas a “rainha” da escola, namorada do jogador, presidente do clube de celibato e espiã da treinadora maluca sobre a qual já falei anteriormente) e outros três jogadores do time.

Glee é muito diferente de HSM por diversos fatores. Para começo de conversa, as músicas não são veículo para contar a história propriamente dita, mas são apresentações do coral. Elas não fazem parte da narrativa.

Em segundo lugar, nada do puritanismo da Disney. Ou de maniqueísmo simplista. Os personagens, mesmo aqueles que rotulamos “mocinhos” têm uma verve mais maquiavélica; eles mentem, manipulam, fingem, traem... E aqueles que consideraríamos os “vilões” nos surpreendem diversas vezes com atitudes que jamais pensaríamos possíveis para eles.

Mais que qualquer outra coisa, contudo, Glee se relaciona ao trato das minorias. E essa relação de minoria, trauma e música não me é desconhecida.

Inicialmente, só havia um garoto no coral... e, por causa disso, ele ouvia um bocado dos colegas, que consideravam aquilo coisa de “mulherzinha”. Mais tarde, outros garotos entraram (e tudo começou graças a uma aposta em cima de uma corrida de Fórmula 1. Até hoje, quando a velha guarda se reúne, agradecemos ao Rubinho por ter perdido aquela corrida...).

De uma forma geral, nossa turma de coristas era formada inteiramente de minorias. Na época, eu não tinha percepção disso, perdida no meu próprio mundo literário e pouco me ligando para quem não estava no meu círculo de amigos, mas nós sofríamos um pouco de bullying; o suficiente para que algumas pessoas que me são muito queridas terem saído do colégio com traumas que nem tão cedo vão deixar de assombrá-los.

E o coral foi um grupo de apoio para esse pessoal; na sala de Tia Nadir, nós tínhamos liberdade para criarmos nossa própria família, para escrever bobeiras (Melodia Boêmia - vide seção 'Corujices' - nasceu lá), para cantar em agudos ensurdecedores ou aquecer a voz com cantigas ridículas ("Eu vi teu pai, tua mãe e tua tiaaaaaaaaaaa... na ruaaaaaaa fazendo aaaanaaarrrrquiiiiiiiiia!").

Talvez essa parte de me identificar com os personagens (se bem que não há nenhum dos personagens que realmente identifique Lulu no colegial... embora eu tenha conhecido uma "Rachel", um "Finn", um "Puck" e uma "Tina" (que não era apenas gótica, mas era a própria MORTE) tenha sido o grande fator para ter me pescado para a história...

Estou, enfim, ansiosíssima para assistir o nono episódio, dia 11. Irá Will se tocar que a esposa está enganando-o com a história da gravidez? Revelará Quinn que Puck é o verdadeiro pai de seu filho? Ficarão, enfim, com o caminho livre, Rachel e Finn? Qual será o próximo plano infalível de Sue Silvester? E o que o clube Glee cantará na seletiva para as regionais?

Essas e outras perguntas, nos próximos episódios de Glee!

Carimbo de Lulu recomenda nele! (acho que vou fazer um carimbo no photoshop para colocar nesses posts... hohoho... até parece...)




A segunda e terceira voz ao fundo me fez lembrar dos meus dias de coral... O Canto de Tupã... Meia hora só fazendo dungundundundudndugundudundun.........

A Coruja

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Por um pouco de magia...


Não sou a única a comparar o ofício de escrever a fazer mágica. Escritores são os magos da palavra, capazes de criar uma segunda realidade, suspendendo o tempo e o espaço, fazendo-nos mergulhar em suas fantasias.

Não à toa, livros são capazes de criar uma dimensão paralela que serve como portal entre mundos.

Por esse e outros motivos, eu não poderia deixar de lembrar aqui no Coruja o Dia Nacional do Livro.

E, já que estamos a falar de fantasia e de histórias em plena semana das bruxas, nada melhor que uma história cheia de personagens mitológicos celtas - afinal, o Halloween era, originalmente, uma festival druida chamado Samhain (eu vou tentar escrever um pouco sobre isso depois).

O conto que vocês lerão a seguir faz parte de um futuro projeto do Expresso e eu aproveito para publicá-lo aqui também para fazer a propaganda da volta dos sites essa semana (e já não era sem tempo, não é mesmo?).

Escrevi Kelpie depois de uma alta dose de Gaiman (tinha ganho três livros dele de aniversário e li um atrás do outro), embalada pelas trilhas de Atonement, King Arthur e, é claro, The Lord of the Rings. Ele faz parte de uma pequena coletânea de três contos envolvendo "lendas das Hébridas".

Para quem não faz idéia do que eu estou falando... Mina, minha personagem no Expresso, é das Ilhas Hébridas e, como eu tenho um ou dois parafusos a menos, volta a meia além de escrever a história dela, eu desenvolvo detalhes do background dela, da família e da ilha - detalhes que, tecnicamente, não entrariam em canto nenhum da história.

Como eu tinha esse monte de detalhes e idéias na cabeça, nasceu a idéia da coletânea. Eu ia publicá-la como especial de aniversário do Expresso em julho, mas por um motivo ou outro, depois de escrever Kelpie de uma sentada só, eu travei nos outros dois.

Talvez se vocês comentarem, isso me anime o suficiente para conseguir destravar dos dois outros contos. O que acham?

De uma forma ou de outra, não é necessário acompanhar o Expresso para entender Kelpie... e, quem leu Hades, certamente vai compreender perfeitamente o conceito de Antiga e Alta Magia.

Mas estou enrolando vocês, como de hábito (aparentemente, eu acho que vocês são carretéis de linha para serem enrolados). Depois de fazer toda essa propaganda, a melhor coisa que tenho a fazer é calar a boca e deixar que leiam em paz.

Apenas duas pequenas curiosidades/lembretes... Os machos dos cavalos-marinhos é que carregam a prole na barriga (essa é uma observação válida, porque a Ísis, quando leu e revisou, perguntou como era possível e eu expliquei com isso... vocês entenderão quando lerem...)... e o nome Philip significa algo como "amigo dos cavalos".

Vocês também entenderão essa observação quando estiverem lendo...

E agora... senta que lá vem a história...


Apenas uma criatura era tão temida quanto os dragões no exército do Belo Reino. Chamavam-nos indistintamente de kelpies, os cavalos aquáticos que atraíam humanos para suas casas no fundo dos lagos, para então devorá-los...


Uma última observação antes de me despedir... Vou fazer endoscopia amanhã e, como toda vez que faço endoscopia eu apago pelo dia inteiro, existe uma boa probabilidade de que eu não apareça mais essa semana, porque, além de tudo, viajo para Gravatá de noite.

Não temam, contudo! Se tudo der certo, estarei de volta domingo com o terceiro capítulo de Ases. Ou com alguma outra loucura sobre a qual eu queira eventualmente escrever...

Sendo assim... Divirtam-se no Dia das Bruxas. Doces, alguém?

A Coruja

Para ler: Os Diários do Vampiro




O corvo se chocou com o alto de um carvalho imenso e a cabeça de Stefan se voltou repentinamente por reflexo. Quando viu que era só um pássaro, relaxou.

Seus olhos caíram na forma branca e flácida em suas mãos e ele sentiu o rosto contorcer de arrependimento. Ele não pretendia matá-lo. Teria caçado alguma coisa maior do que um coelho se soubesse que estava com tanta fome. Mas é claro que era isto que o assustava: jamais saber a intensidade de sua fome, ou o que poderia fazer para aplacá-la. Ele teve sorte por, desta vez, matar só um coelho.

Ele estava embaixo dos antigos carvalhos, a luz do sol infiltrando-se até seu cabelo ondulado. De jeans e camiseta, Stefan Salvatore parecia exatamente um aluno normal do ensino médio.

Mas não era.


(Diários do Vampiro: O Despertar - Lisa Jane Smith)



Alguns de vocês provavelmente já assistiram a série baseada nesse livro, que estreou na Warner semana passada (mas eu já assisti até o sexto episodio, cortesia dos links para download na rede, é claro). Vamos começar então nossa discussão de hoje por um pequeno aviso...

Se você - como eu - estiver assistindo a série e ficou curioso em saber como acaba (já que só tem capítulo novo uma vez por semana e é mais fácil e rápido se for direto à fonte)... esqueça a possibilidade de fazê-lo com os livros. Exceto por alguns pontos, tais como os nomes dos personagens e quem é vampiro ou humano, as duas histórias não têm quase nada em comum.

Feita essa observação, que fique claro que não estou dizendo que a série é uma grande porcaria ou coisa do tipo. Caso não tenham prestado atenção, ela é baseada na obra de Lisa Jane Smith, não é uma 'adaptação' fiel dos livros.

Por cima, a essência da história é a seguinte: temos dois irmãos, ambos vampiros, que, por terem, no passado, se apaixonado pela mesma mulher, se odeiam.

Stefan, que é quem escreve o diário, é torturado por sua natureza, dia após dia lutando contra o desejo de sangue. Ele é pura gentileza, um verdadeiro cavalheiro em cada possível aspecto.

Damon, por sua vez, é instinto e sedução. Cínico, egoísta, ele faz aquilo que quer, sem se importar com as conseqüências, transformando todos ao seu redor em peças dentro do seu jogo.

Ambos se apaixonaram por Katherine, que era uma vampira. Ela, por sua vez, gostava dos dois, de forma que decidiu por transformá-los - a ambos - para que fossem seus companheiros para o resto da eternidade.

Infelizmente, os dois irmãos não gostavam muito da idéia de dividir a namorada, de modo que a história meio que terminou em tragédia. No livro, Katherine se suicida e os dois irmãos se matam... para então acordarem na cripta da família, já transformados.

Anos e anos depois, Stefan, tentando recomeçar a vida (ou não-vida, se formos ensar direitinho), dá de cara com Elena, uma garota que é exatamente a cara de sua amada Katherine.

E, claro, é aí que começam os problemas.

Essa é a linha, por assim dizer, essencial, da história, tanto na série quanto nos livros. De resto, como já disse, são narrativas muito diferentes. Para começar Stefan e Damon são italianos no livro, tendo sido humanos à época renascentista, em Florença. Já na série de TV, ambos são um pouco mais novos - apenas 145 anos de idade - e eram, originalmente, da cidade de Mystic Falls (onde toda a ação ocorre), tendo vivido a Guerra Civil nos EUA (e Katherine morreu queimada na Igreja da cidade, numa das batalhas).

Vou parar por aqui, antes que eu comece a fazer uma lista das diferenças entre ambas as mídias (mas, se quiserem, eu faço depois). Em vez disso, vamos ao que há de importante, o que eu achei de Vampire Diaries.

Já falei um bocado de Lisa Jane Smith aqui no Coruja, e bem antes de começar a sair informações sobre ela aqui no Brasil (até uns três meses atrás, se você digitasse o nome dela no google, praticamente só apareciam links em inglês). Gosto da forma despretensiosa como ela escreve - ela prende nossa atenção, ela nos surpreende e ela nos faz, às vezes, até torcer pelo vilão.

Smith criou muitos bons personagens, especialmente nos nove volumes da série Night World (cujas resenhas vocês podem ler em 01, 02 e 03). Mas eu a achei meio fraca em Vampire Diaries.

Talvez isso se deva ao fato de que li apenas o primeiro livro, e ele termina completamente em aberto. Bem, vou ler o segundo ainda essa semana (minha versão é a em inglês, com os dois primeiros livros num único volume) e talvez me anime mais, até porque Damon realmente não integra muito da história em O Despertar.

A série, contudo, me conquistou, especialmente pelo contraponto na relação entre os irmãos Salvatore. Tive algumas intensas crises de riso. Inesquecível o diálogo de Damon e Caroline no quarto episódio, em que ele aparece folheando Crepúsculo:

Damon: O que essa Bella tem de tão especial? Edward está tão vidrado.

Caroline: Precisa ler o primeiro livro antes. Assim não faz sentido.

Damon: Ah, eu sinto falta da Anne Rice, ela estava tão certa.

Caroline: Por que você não brilha?

Damon: Porque vivo no mundo real, onde vampiros queimam no Sol.

Caroline: É, mas você sai no Sol.

Damon: Tenho um anel. Ele me protege. Longa história.

Caroline: Essas mordidas vão me transformar em uma vampira?

Damon: É um pouco mais complicado que isso. Você tem que se alimentar do meu sangue, então morrer, então se alimentar de um humano. É todo um processo... Esse livro, aliás, está todo errado.

A bem da verdade, há um bom bocado de coisas que a Meyer parece ter tirado diretamente da Smith. Sim, vocês leram certo. Se houve ou não inspiração de uma parte a outra (ou plágio, a depender do ponto de vista), foi da autora de Crepúsculo, porque Vampire Diaries data do início da década de 90 (foi redescoberto agora com a febre vampiresca, mas é quase mais velho que meu irmão).

Quem tiver a curiosidade de ler vai perceber essas certas semelhanças, como na cena em que Stefan demonstra sua força para Elena, de forma a que ela entenda que ele é um caçador, e ela, a presa.

No aspecto vampire angst-ridden, ninguém ganha de Edward Cullen, é claro. O Stefan é bem mais pró-ativo que Edward, ele não fica se comprazendo em sua miséria indefinidamente.

Como eu já disse antes, um dos pontos altos é a relação e o contraste dos irmãos, que têm em comum apenas o amor por Katherine/Elena. Damon pode ser selvagem e totalmente devotado ao seu instinto predador em muitas partes, mas ele também é capaz de demonstrar ternura; da mesma forma que Stefan é capaz de agir no típico pensamento maquiavélico de que os fins justificam os meios.

A série ainda está longe de terminar, seja em sua forma televisiva, seja em livros. Ao término da trilogia original (e, se você quer mesmo saber, Elena se torna vampira ao final do segundo volume e Katherine reaparece viva no terceiro...), diante da insistência dos fãs, a Smith decidiu escrever uma nova trilogia, cujo segundo volume deve chegar em março do ano que vem.

Não sei se me animo muito com essa segunda trilogia... Pelo pouco que li em resumos da história, Elena vira vampira, morre, retorna como anjo, depois desaparece de novo para então voltar como humana, enquanto Stefan sai à caça de uma cura e aparecem uns insetos carnívoros e japoneses e uma raposa kitsune e... hein?

Enfim, a coisa tá meio enrolada e eu não sei se essa imensa mistura dá algo palatável. Mas vamos ver, não é? Quando eu terminar o segundo livro, vou encomendar o outro volume com o final da primeira trilogia e o início da outra.

Até lá... Divirtam-se!

Tricks or Treats?


A Coruja

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Para ler: Orgulho & Preconceito... e zumbis




É uma verdade universalmente aceita que um zumbi em posse de cérebros, deve estar em necessidade de mais cérebros.


(Pride and Prejudice and Zombies - Jane Austen e Seth Grahame-Smith)



Comentei semana passada, se não me engano, que tinha encomendado e recebido minha cópia de Pride and Prejudice and Zombies. Pois bem. Passada a prova da OAB (e tendo pela frente pelo menos uns quinze dias antes de saber o resultado), comecei a ler os livros que estavam se acumulando na minha cabeceira e, sendo semana de Halloween, é claro que comecei por esse título, a fim de poder falar dele para vocês.

Vamos começar falando de puritanos. Não, não estou me referindo aos puritanos no sentido histórico-cultural-religioso, mas dos fãs que não podem ver uma adaptação que mude uma vírgula de lugar que já começam a acender as tochas e preparar a fogueira.

Há, é claro, adaptações e adaptações. Na minha opinião, como leitora e como fã de cinema, uma boa adaptação é aquela que respeita a essência da história. Uma excelente adaptação, por sua vez, é aquela que faz você descobrir novas nuances de uma mesma história. E uma péssima adaptação... bem, acho que é meio óbvio, não?

Exemplos, do meu ponto de vista, dos três enunciados: a trilogia de O Senhor dos Anéis, de Peter Jackson; O Mercador de Veneza com Pacino no papel de Shylock; e o primeiro filme da franquia de Fronteiras do Universo.

Os fãs puritanos de Tolkien conseguiram torcer o nariz para Jackson (especialmente para o relacionamento de Aragorn e Arwen). Shakespeare... bem, as obras de Shakespeare são para o teatro, então, a não ser que os atores sejam muito ruins, geralmente ele rende boas adaptações. E eu já dediquei um longo artigo sobre eu mesma torcendo o nariz para FdU.

Enfim, feitas essas considerações iniciais (o que é isso? Uma petição inicial?), vamos ao que realmente importa...

Em que categoria, exatamente, eu encaixaria P&P and Zombies? Sinceramente? Não faço idéia. Tenho certeza, contudo, que os fãs puritanos de Austen desejam profundamente que Seth Grahame-Smith arda nos quintos dos infernos.

O que eu sei é que os zumbis entraram muito bem na Inglaterra vitoriana e que, se em alguns pontos, a coisa toda é bizarra demais, em outros, o autor consegue dar uma tiradas geniais.

Também, tendo Austen como calço...

Vamos a um resumo da história (e, se você pretende algum dia ler o livro e não quer saber de spoilers, volte amanhã. Aliás, se você não sabe o que diabos é Orgulho e Preconceito, também volte amanhã).

Nossa história começa, é claro, com a chegada de Mr. Bingley, mas, de forma geral, P&P and Zombies se desenrola exatamente como Orgulho & Preconceito, com algumas mínimas diferenças.

A Inglaterra foi atacada por uma praga. De repente, não mais que de repente, os mortos não querem mais ficar em seus túmulos. São os zumbis, os imencionáveis, os malditos, as hordas de Satã e mil e uma outras denominações.

Num país em que chove aos cântaros e a terra está sempre mole, é bem fácil para que eles cavem a terra para fora de seus caixões e infestem da capital aos rincões interioranos, como Longbourn, ondem mora a família Bennett.

Mr. Bennett tem cinco filhas, todas elas versadas nas artes mortais. Duas vezes, a família toda se deslocou à China, onde estudou o estilo Shaolin com mestre Liu. Jane, Lizzie, Kitty, Mary e Lydia são todas tão belas quanto mortíferas.

As cinco se comprometeram com a Coroa, exercendo seu ofício de caçadoras de zumbis e protetoras de seu condado até que morram, sejam inutilizadas ou se casem - sendo que este último é o grande sonho de sua mãe, Mrs. Bennett (que continua tão tola quanto na versão original).

Mr. Darcy também é um mestre das artes mortais, embora seu treinamento tenha sido feito no Japão, em Kyoto. Aparentemente, e, de acordo com Lady Catherine (que é a mais temida assassina de zumbis da Inglaterra), os chineses são plebeus e não sabem de nada; uma verdadeira educação nas artes mortais deve ser feita no Japão, sendo mantida com a contratação de ninjas para educação das crianças (e ela tem um pequeno exército de ninjas a sua disposição).

Claro que Darcy e Lizzie sentirão forte preconceito em relação aos seus estilos de luta. E, claro, quando Darcy se declara afinal, ele não leva apenas um categórico não, mas também um chute no rosto que o derruba contra a parede.

Nesse meio tempo, Darcy separou Jane e Bingley porque achou que Jane tinha sido contaminada com a "estranha praga"; Mr. Collins fez sua aparição, levou um fora da Lizzie e se casou com Charlote, que, por sua vez, estava a meio caminho de se transformar em um zumbi ela mesma.

Uma das minhas cenas favoritas, já que estamos a falar de Charlote, é quando ela reflete sobre a possibilidade de Mr. Darcy e o Coronel Fitzwilliam gostarem de sua amiga e coloca sua preferência sobre Mr. Darcy, porque, ao final das contas, Darcy tem uma cabeça maior, o que significa mais cérebro para comer.

Não bastasse algumas tiradas bastante escatológicas, há alguns trocadilhos infames, especialmente com a palavra balls, que pode ser traduzida de muitas formas - baile, balas, bolas... Não vou me adentrar em detalhes, mas se você tem uma mente suja, certamente já deve ter percebido onde isso vai parar.

Em geral, Pride and Prejudice and Zombies é uma leitura divertida, mas totalmente bizarra e sem noção. Mas, bem, o que mais se poderia esperar ao soltar os zumbis na história?

Não considero que a coisa vá virar "cult" ou algo do tipo. O cerne da história continua sendo o texto original de Austen e é dele que Seth tira boa parte da força dos diálogos. Fora as hordas de zumbis andando pelos campos com suas vestes rasgadas e carnes pútridas, não há nada mais de muito inovador.

Uma paródia então, em vez de adaptação. Se você vai amar ou odiar a história, depende apenas de como seja seu senso de humor. A verdade é que comédias são muito mais difíceis de escrever que dramas ou romances. Mas como eu mesma tenho um senso de humor meio bizarro, eu gostei.

Carimbo de "Lulu Recomenda" nele!

Último comentário sem-noção do dia: se eu fosse a uma festa de fantasia nesse Halloween, eu iria de "Lizzie, the Zumbi Slayer"...

(E, se tudo der certo, amanhã teço meus comentários sobre The Vampire Diaries. É, pois, é, vampiros... Parece que é só sobre o que eu escrevo, não?)

A Coruja

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Semana de Halloween


Olá, pessoas!

Fiz ontem a segunda fase da prova da OAB, de modo que até dia 16 ou 17 de novembro, mais ou menos, estou me dando oficialmente folga dos livros de processo. A prova foi até bem mais fácil do que eu esperava - não que ela tenha sido fácil, mas não era o bicho-de-sete-cabeças que as pessoas costumam pintar.

Em todo caso, não estamos aqui para falar de OAB.

Sábado agora é dia 31 de outubro, dia das bruxas... e, é claro, eu não poderia deixar a data passar em branco. Ainda estou pensando com meus botões o quê, exatamente, eu vou fazer no "grande dia", mas decidi começar hoje republicando uma série de resenhas que escrevi originalmente para o Tsuru sobre animes que, de alguma forma, envolvessem idéia de sobrenatural.

Então, você têm abaixo resenhas de Jigoku Shoujo (uma donzela infernal levado vingança entre os humanos); xxxHOLiC: Kei (a segunda temporada do sucesso do CLAMP, com uma bruxa que realiza desejos, fos de destino enrodilhados e muitas criaturas mitológicas andando por aí); Yamato Nadeshiko Shinchi Henge (o terror visto de forma 'bizarramente' cômica); Ghost Hunt (um dos meus animes preferidos, sem dúvida alguma); Blood+ (perfeito) e Trinity Blood (maravilhoso).

Muita gente considera quadrinhos e desenhos como coisa de criança. Qualquer dia desses, vou escrever um longo tratado aqui sobre o assunto. Por hoje, apenas comento que boas histórias são boas histórias, independente do tipo de mídia em que sejam contadas.

E por hora me despeço para ir trabalhar. Vou ver se daqui para amanhã, resenho o que assisti de Vampire Diaries e talvez, se já tiver terminado, falo de Pride & Prejudice and Zombies.

Hehe... essa será uma semana divertida...

A Coruja

Trinity Blood




Tive a sorte de colocar as mãos sobre mais uma grande história, graças às recomendações da minha vendedora favorita da Magic Center (agradecimentos encarecidos a ela por ter se dado ao trabalho de se sentar comigo para papear e comentar sobre as séries em DVD... tudo bem, ela queria vender, mas ainda assim... impossível não se empolgar com a empolgação dela...). Com grandes doses de ação, política, intrigas e um background de tirar o fôlego, Trinity Blood, decididamente, capturou minha atenção.

Ao final das contas, vampiros sempre são seres carismáticos. Adoro vampiros. O que dizer então de um vampiro amargurado por seus crimes, que se torna padre para redimir seus pecados? Discussões éticas e morais à parte, o padre Abel Nightroad é um personagem muito bem construído; cheio de segredos e dualidades, o tipo de protagonista pelo qual você torce do começo ao fim.

Mas estou me adiantando... Vamos começar do começo, ok?

Trinity Blood começou como uma série de novelas em 2001, escritas por Sunao Yoshida, com ilustrações de Thores Shibamoto. Yoshida morreu em 2004, sendo então substituído por seu amigo e autor das novelas da série Ragnarock, Kentaro Yasui. No mesmo ano, foi lançada a série em mangá, ainda não terminada e, em 2005, o anime, com 24 episódios.

Muitos anos antes da época mostrada no início da série, humanos tentaram colonizar Marte, e, no processo, descobriram duas tecnologias ou organismos aliens: os Bacillus e as nanomáquinas Crusnik. Esses colonizadores implantaram em seus corpos os Bacillus, transformando-se assim em Methuselahs - ainda seres humanos, mas com força sobrenatural, vida prolongada, extrema velocidade e sede de sangue humano.

Ao voltaram à Terra, esses colonizadores entraram em guerra com os humanos que tinham permanecido no planeta, até o ponto do Armageddon, o evento apocalíptico acontecido 900 anos antes do primeiro capítulo. Desde então, os Methuselahs, com sua tecnologia avançada e poderes especiais, transformaram-se numa grande força política e militar, criando assim o Império. Os humanos, por sua vez, chamados por eles de "Terrans", são protegidos pela Igreja Católica, que transformou-se na grande detentora de poder militar humano.

Lembrem-se, contudo, que não foram apenas Bacillus que os colonizadores encontraram. As nanomáquinas Crusnik foram implantadas em embriões, dos quais apenas quatro sobreviveram: Cain, Abel, Seth e Lilith. Quando a guerra estourou, Abel, Cain e Seth se colocaram ao lado dos Methuselahs - conhecidos pelos humanos como vampiros, por conta das lendas antigas - e Lilith apoiou os homens.

Como os Methuselahs, os Cresnik também se alimentam de sangue, mas não sangue humano - sangue vampírico. Continuando... durante a guerra, Cain enlouqueceu e matou Lilith. Abel então levou o corpo dela para o Vaticano e lá permaneceu ao lado dela por 900 anos, lamentando-a, até que um fato novo o fizesse se levantar da tumba de Lilith e tomar o papel de defender os humanos.

Acho que isso é o suficiente para localizá-los sem entrar em grandes spoilers... Como eu disse anteriormente, Abel é o protagonista, e um grande protagonista. Normalmente, ele parece um padre atrapalhado, sempre com fome, adorável ao mesmo tempo que distraído. Quando as coisas ficam sérias, porém, ele demonstra uma personalidade não apenas sofrida, como eternamente em crise com a própria consciência - há vários capítulos em que essa crise fica marcante, ao ponto de ele repetir que sua forma Cresnik é a "marca de meus pecados".

Não é Abel, contudo, o único que se destaca no elenco. Todos os personagens de Trinity Blood têm um background sólido, são, individualmente, caracteres que mereceriam séries próprias. Abel trabalha para o Vaticano sob as ordens de Caterina de Sforza, duquesa de Milão, irmã do Papa, num grupo de elite conhecido como AX. Caterina é responsável pela diplomacia da cidade papal, e acredita na possibilidade de cooperação entre humanos e vampiros, trabalhando para isso durante grande parte da história.

Contra ela está seu irmão, o Duque de Florença e Toscana, Francesco di Medici, líder da Inquisição e filho bastardo do antigo Papa. Francesco odeia vampiros e não tem escrúpulos em usar o irmão Papa para conseguir seus objetivos. Alessandro XVIII, 339º Papa de Roma, por sua vez, começa como uma figura fraca, facilmente manipulado por seus irmãos, mas que, após ter sido seqüestrado em Albion, começa a nos surpreender.

Outros personagens que devem ser citados, sem dúvida alguma, são o Padre Tres Iqus, uma espécie de andróide com partes humanas e de senso de humor muito peculiar (cara, eu dei tantas risadas com ele... fora que ele faz maravilhas com uma arma na mão! Ele dá um espetáculo no segundo capítulo do anime!); Hugue de Watteau, o Sword Dance (um dos melhores mestres espadachins sobre os quais coloquei os olhos em animes); William, o Professor (adoro o carro voador!); Leon de Asturias (sem maiores comentários para o amante latino) e, é claro, irmã Esther Blachett.

Eu não vou contar muito da irmã Esther, porque ela é outra das boas surpresas da história. Mas adianto que, a partir do ponto em que ela aparece no mapa, as coisas começam realmente a engrenar - os primeiros episódios, em que há mais apresentação dos personagens que qualquer outra coisa podem se tornar um pouco cansativos -, especialmente quando somos afinal apresentados a grande inimiga, a ordem Contra Mundi, os Rosenkreuz, na figura do mestre das marionetes, Dietrich von Lohengrin.

Que me perdoe Cain, o louco, mas Dietrich é um vilão muito mais interessante, roubando a cena sempre que aparece. Eu, sinceramente, ADORO ele...

Há outros dois personagens que sinto obrigação de citar aqui, porque também reservo a eles um lugar especial no meu grau de preferência: o irmão Petro Orcini, chefe da Inquisição sob ordens diretas de Francesco (é outro que tem uns momentos cômicos muito bons) e o Nobre Methuselah Ion Fortuna, Conde de Mênfis.

Receio que não tenha mais espaço para explicar sobre todos esses personagens sem tirar a graça da história para vocês. Infelizmente, o anime termina na melhor parte - justamente quando Abel começa sua jornada atrás de Cain. Não que com isso a série perca em graça - só faz você, como eu, sentar-se no pc faminto para baixar o mangá - que, or sinal, também está sendo trazido ao Brasil pela Panini.

Trinity Blood, é, enfim, uma série para muitos gostos. O traço é bem acabado (comentário de fã-girl babenta: os homens da série são liiiiiiiiiindos), a trilha sonora é inspirada (outra que estou baixei para minha playlist...) e a história é repleta de suspense, intriga e lutas espetaculares. E, claro, sangue, MUITO sangue. Mais que recomendado para quem curte vampiros. Hohoho...

A Coruja